Treinamento de compliance: como estruturar, aplicar e medir resultados
Saiba o que é treinamento de compliance, quais os melhores formatos, as etapas para estruturar e como implementar um programa eficaz.
por Monique Martins
Weex | O jeito mais inteligente de transformar campanhas em cultura
A NR-16 é a Norma Regulamentadora que define quais atividades são consideradas perigosas no Brasil e garante ao trabalhador exposto a esse risco o adicional de 30% sobre o salário. Ela existe desde 1978, mas passou por mudanças recentes que ampliaram sua abrangência.
A atualização mais relevante veio com a Portaria MTE nº 2.021, publicada em 4 de dezembro de 2025 e em vigor desde 3 de abril de 2026. Ela criou o Anexo V, que trata do uso de motocicleta no trabalho, e trouxe uma nova exigência sobre o laudo técnico. Este artigo explica o que caracteriza periculosidade, quem tem direito ao adicional, quais são os anexos vigentes hoje e o que muda na prática para empresas e trabalhadores.
A NR-16 é a norma do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) que regulamenta as atividades e operações perigosas previstas no art. 193 da CLT. Ela não cria o direito ao adicional, apenas detalha em quais situações ele se aplica.
A norma funciona por meio de anexos. Cada um descreve um tipo de risco (explosivos, inflamáveis, radiação, energia elétrica, entre outros) e as condições exatas para que a atividade seja enquadrada como perigosa. Sempre que o MTE identifica uma nova categoria de risco relevante, ele aprova um anexo novo por portaria, sem precisar reescrever toda a norma. Foi assim que surgiram o Anexo V, sobre motocicletas, e o Anexo VI, sobre agentes de trânsito, ambos aprovados em 2025.
Por isso, quando alguém pesquisa por NR-16 atualizada, geralmente quer saber duas coisas: o que a norma exige hoje e o que mudou nos últimos meses. Os próximos tópicos respondem às duas.
Periculosidade é a exposição do trabalhador a um risco acentuado de dano à sua integridade física, de forma permanente ou habitual, em razão de contato com agentes perigosos previstos em lei. A definição vem do art. 193 da CLT e é detalhada pela NR-16.
Três elementos precisam estar presentes para caracterizar a periculosidade:
Vale destacar que periculosidade é diferente de insalubridade. A insalubridade trata de agentes que prejudicam a saúde ao longo do tempo, como ruído e produtos químicos, enquanto a periculosidade trata do risco de acidente grave ou morte. Quem quiser entender essa diferença em detalhe pode consultar o artigo Periculosidade e Insalubridade: entenda os adicionais e suas diferenças.
Tem direito ao adicional de periculosidade todo trabalhador com vínculo CLT cuja função esteja formalmente enquadrada em algum anexo da NR-16, mediante laudo técnico. O cálculo é simples: 30% sobre o salário base, sem considerar gratificações, prêmios ou participação nos lucros da empresa, conforme o art. 193, §1º da CLT.
Isso significa que o adicional não incide sobre o salário total do trabalhador, mas apenas sobre a parte fixa. Além disso, segundo entendimento consolidado do TST (OJ 259 da SDI-1), o valor recebido a título de periculosidade integra a remuneração para todos os efeitos legais. Portanto, ele entra no cálculo de férias, 13º salário, FGTS e horas extras.
O trabalhador não precisa solicitar o benefício formalmente. Cabe à empresa identificar a exposição ao risco, providenciar o laudo e incluir o adicional na folha de pagamento desde o início da atividade perigosa. Quando isso não acontece, o trabalhador pode buscar o pagamento retroativo por via judicial, com perícia técnica de ofício.
Hoje a NR-16 tem sete blocos de anexos, cada um cobrindo um tipo de risco. Conhecer essa lista ajuda a entender rapidamente se uma função específica se enquadra na norma.
Cada anexo tem regras próprias de caracterização e, em alguns casos, exceções específicas. O Anexo V, por ser o mais recente e o de maior impacto para empresas com frota ou entregadores, merece atenção especial.
A principal mudança recente na NR-16 foi a criação do Anexo V. Ele passou a considerar perigosa a atividade de trabalhadores que usam motocicleta para se deslocar a trabalho em vias abertas à circulação pública.
A portaria foi assinada em 3 de dezembro de 2025, publicada no Diário Oficial da União em 4 de dezembro de 2025 e entrou em vigor 120 dias depois, em 3 de abril de 2026.
Além do novo anexo, a portaria trouxe uma mudança operacional importante: o item 16.3.1. A partir dele, o laudo de periculosidade passou a ficar disponível para trabalhadores, sindicatos e fiscalização do trabalho sempre que solicitado.
Antes dessa alteração, a norma não trazia uma obrigação expressa de transparência sobre o acesso ao documento.
Com o novo anexo, motociclistas que realizam entregas, atendimento externo ou deslocamentos profissionais em via pública passaram a ter, em regra, direito ao adicional de 30%.
A caracterização depende de três condições: uso da motocicleta como parte da atividade, circulação em via pública e ausência de alguma exceção prevista na norma.
Essas exceções serão detalhadas no próximo tópico.
O critério de caracterização do Anexo V é direto: atividades com uso de motocicleta no deslocamento do trabalhador em vias abertas à circulação pública são consideradas perigosas, desde que comprovadas em laudo técnico. Isso vale tanto para motos quanto para motonetas e scooters, com ou sem side-car.
Nem toda situação com motocicleta gera o adicional, no entanto. A norma prevê quatro exceções expressas:
Também ficam fora do Anexo V os veículos que não exigem emplacamento nem CNH, como ciclomotores de baixa cilindrada em algumas categorias. Cabe à empresa comprovar, por laudo técnico, que a atividade se enquadra em uma dessas exceções. Foi exatamente esse ponto que o TST decidiu no julgamento do Tema 101, em 17 de abril de 2026: o ônus da prova de qualquer exceção é sempre do empregador, e o adicional é devido mesmo quando a empresa não fez a regulamentação interna esperada. A decisão também deixou claro que o enquadramento em uma exceção não retroage nem permite cobrar de volta valores já pagos.
Não. O art. 193, §2º da CLT determina que o trabalhador deve optar por um dos dois adicionais quando tem direito a ambos, e o TST confirmou essa vedação de forma vinculante no Tema 17 do IRR: a cumulação não é permitida, ainda que os dois adicionais decorram de fatos geradores diferentes e independentes.
Na prática, isso significa que, se uma função for enquadrada simultaneamente em periculosidade e insalubridade, a empresa deve pagar o valor mais vantajoso para o trabalhador, e não os dois somados. Para entender como funciona essa escolha e as diferenças entre os dois adicionais, vale a leitura completa do artigo Periculosidade e Insalubridade: entenda os adicionais e suas diferenças.
O laudo de periculosidade é o documento técnico que caracteriza, ou descaracteriza, a exposição de uma função ao risco previsto nos anexos da NR-16. Ele é obrigatório sempre que existir atividade com potencial de enquadramento na norma, conforme o art. 195 da CLT e o item 16.3 da NR-16.
Apenas dois profissionais podem elaborar e assinar esse laudo: o Médico do Trabalho ou o Engenheiro de Segurança do Trabalho. Ambos devem estar devidamente registrados em seus conselhos de classe.
Desde a entrada em vigor do item 16.3.1, em abril de 2026, o laudo também deve estar disponível para consulta dos trabalhadores, sindicatos da categoria e fiscalização, sempre que solicitado.
É comum confundir o laudo de periculosidade com outros documentos de segurança do trabalho, então vale uma distinção rápida. O LTCAT tem finalidade previdenciária, alimenta o eSocial e sustenta pedidos de aposentadoria especial. O PGR, por sua vez, é o programa contínuo de gerenciamento de riscos previsto na NR-1. O laudo de periculosidade, diferente dos dois, tem finalidade trabalhista específica: sustentar (ou afastar) o pagamento do adicional de 30% na folha de pagamento. Os três documentos costumam compartilhar levantamentos de campo, mas nenhum substitui o outro. Para uma visão completa de toda a documentação exigida em SST, o guia Documentos de SST: o guia completo que todo profissional de segurança deve conhecer reúne o que cada laudo e programa cobre.
Portanto, manter a NR-16 em dia exige mais do que conhecer os anexos de cor. A gestão da periculosidade exige laudo técnico atualizado, critérios de enquadramento bem documentados e atenção às mudanças recentes, como o Anexo V para motociclistas. Também é importante garantir transparência na elaboração do laudo.
Empresas que tratam a periculosidade como parte de uma cultura de segurança consistente, e não apenas como uma obrigação do departamento pessoal, reduzem riscos trabalhistas e fortalecem a confiança dos trabalhadores expostos.
Para apoiar campanhas de conscientização sobre segurança do trabalho e reforçar esse tipo de orientação, vale conhecer também os documentos de SST que sustentam esse trabalho.
Em regra, não. O adicional de periculosidade é um direito trabalhista previsto no art. 193 da CLT, que exige vínculo empregatício conforme o art. 3º da mesma lei. Motociclistas autônomos que prestam serviço para plataformas de entrega, sem relação de emprego formal, não se enquadram automaticamente nessa proteção. A discussão sobre a natureza jurídica desses vínculos ainda está em debate nos tribunais brasileiros, especialmente em casos que buscam reconhecer vínculo empregatício disfarçado de parceria. Por isso, cada situação concreta pode ter um desfecho diferente, a depender das provas apresentadas sobre subordinação e habitualidade.
Sim. Segundo a Orientação Jurisprudencial 259 da SDI-1 do TST, o adicional de periculosidade tem natureza salarial e integra a remuneração do trabalhador para todos os efeitos legais. Na prática, isso significa que ele compõe a base de cálculo de férias acrescidas de um terço, do 13º salário, do FGTS mensal e até de horas extras, quando houver. Empresas que pagam o adicional apenas no contracheque, sem refletir esse valor nas demais verbas, correm o risco de gerar diferenças salariais que podem ser cobradas judicialmente, com juros e correção monetária sobre todo o período trabalhado.
Depende da quantidade. O Anexo II da NR-16 prevê uma exceção específica: o transporte de até 200 litros de líquidos inflamáveis ou até 135 quilos de gases liquefeitos não caracteriza periculosidade, desde que respeitados esses limites. Acima disso, a atividade passa a ser enquadrada como perigosa, com direito ao adicional. Há ainda uma exceção adicional para tanques originais e suplementares de veículos, prevista pela Portaria MTE nº 1.418/2024, que trata do abastecimento normal de frotas. Esses limites numéricos costumam ser o ponto mais decisivo em disputas judiciais sobre transporte de inflamáveis.
A NR-16 não fixa um prazo fixo de validade, como acontece com alguns exames médicos periódicos. O responsável técnico deve revisar o laudo sempre que as condições de trabalho sofrerem mudanças relevantes, como alteração de função, layout, processo produtivo ou equipamento utilizado. Manter um laudo desatualizado depois de uma mudança significativa expõe a empresa a autuações da fiscalização do trabalho e a questionamentos judiciais, já que o documento deixa de refletir o risco real ao qual o trabalhador está exposto no momento da consulta.
A ausência de laudo não isenta a empresa da obrigação de pagar o adicional quando o risco existe de fato. Pelo contrário: sem documento técnico próprio, a empresa fica sem defesa formal caso o trabalhador acione a Justiça do Trabalho, situação em que o juiz determina uma perícia de ofício, conforme o art. 195 da CLT. Além do risco trabalhista, a falta de laudo pode gerar autuação em fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego, já que o item 16.3 exige esse documento como base para caracterizar ou descaracterizar a periculosidade de qualquer função.
Saiba o que é treinamento de compliance, quais os melhores formatos, as etapas para estruturar e como implementar um programa eficaz.
por Monique Martins
Saiba como planejar e executar a auditoria interna da qualidade e transformar os resultados em melhorias reais nos processos da sua empresa.
por Ayumi Aoe
Não há prazo legal em dez/2026. Organize inventário, plano de ação, PGR e registros de participação como rotina de gestão.
por Talita Torres
NR-20 atualizada: Portaria 60/2025 simplifica regras para tanques a diesel/biodiesel. Veja o que muda na prática.
por Jaya Viana
Na NR-18, o PCMAT virou PGR do canteiro de obras: obrigatório em qualquer obra, e precisa mudar conforme a fase da construção.
por Talita Torres
NR-6: o empregador deve fornecer EPI gratuito e adequado ao risco, e o uso correto exige reforço contínuo, não só entrega pontual.
por Jaya Viana
Saiba quais são os limites de ruído no trabalho pela NR-15, os danos à saúde e como prevenir a perda auditiva com medidas de…
por Jaya Viana
Saiba o que é trabalho em espaço confinado, quais riscos envolvem, quais EPIs são obrigatórios e o que a NR-33 exige para cada entrada…
por Jaya Viana
Saiba o que é near miss em segurança do trabalho, como investigar quase acidentes e como criar um sistema de reporte que previne tragédias…
por Jaya Viana
Veja como integrar segurança do trabalho e meio ambiente no modelo EHS e construir uma gestão que protege pessoas, planeta e resultados da empresa.
por Jaya Viana