O ruído no trabalho precisa ser avaliado considerando sua intensidade, duração e características. Para ruído contínuo ou intermitente, a NR-15 estabelece, por exemplo, 85 dB(A) para oito horas de exposição diária. Ruídos de impacto seguem critérios específicos de medição.
Sumário
- 1. O que é ruído no trabalho e por que ele é um risco ocupacional
- 2. Quais são os limites de ruído no trabalho?
- 3. Quais são os danos do ruído à saúde do trabalhador
- 4. Como medir o ruído no ambiente de trabalho
- 5. Hierarquia das medidas de controle do ruído
- 6. Programa de Conservação Auditiva (PCA)
- 7. Conclusão
O que é ruído no trabalho e por que ele é um risco ocupacional
Ruído é qualquer som indesejado ou prejudicial à saúde. No ambiente de trabalho, ele se origina de máquinas, motores, compressores, ferramentas pneumáticas, processos de estamparia, linhas de produção e qualquer outra fonte que gere vibrações sonoras em intensidade ou frequência nocivas ao sistema auditivo.
O que torna o ruído ocupacional particularmente perigoso é a sua ubiquidade: ele está presente em praticamente todos os setores industriais e em muitos ambientes de serviços. Além disso, o trabalhador frequentemente se adapta ao ruído ao longo do tempo, reduzindo a percepção de desconforto mesmo quando a exposição continua causando dano. Essa adaptação fisiológica não significa proteção: o dano acumula independentemente da sensação subjetiva de incômodo.
Quais são os limites de ruído no trabalho?

O Anexo 1 da NR-15 relaciona o nível de ruído contínuo ou intermitente ao tempo máximo de exposição diária:
| Nível de ruído | Máxima exposição diária |
|---|---|
| 85 dB(A) | 8 horas |
| 90 dB(A) | 4 horas |
| 95 dB(A) | 2 horas |
| 100 dB(A) | 1 hora |
Estes são exemplos da tabela. Quando existem diferentes níveis de ruído durante a jornada, a avaliação deve considerar seus efeitos combinados. Fonte: NR-15, Anexo 1.
E o ruído de impacto?
O Anexo 2 estabelece o limite de 130 dB medidos em circuito linear e resposta para impacto. Quando o equipamento não possui essa resposta, a norma admite medição em circuito de compensação C e resposta rápida (FAST), com limite de 120 dB(C). Os valores dependem do método de medição e não devem ser usados como equivalentes. Fonte: NR-15, Anexo 2.
A caracterização da insalubridade depende da avaliação da exposição e das medidas de controle aplicáveis ao caso. Para entender como esse processo se documenta formalmente, o artigo sobre laudo de insalubridade detalha o que precisa ser avaliado e registrado.
Quais são os danos do ruído à saúde do trabalhador
A consequência mais conhecida da exposição crônica ao ruído é a PAIR, Perda Auditiva Induzida por Ruído. Trata-se de uma perda auditiva neurossensorial, bilateral, progressiva e irreversível, causada pela destruição das células ciliadas da cóclea ao longo do tempo.
O problema é que a PAIR se instala lentamente. Nos primeiros anos de exposição, o trabalhador pode perceber apenas dificuldade de compreensão em ambientes ruidosos. Posteriormente, passa a ter dificuldade em conversas normais. Quando a perda já é perceptível no dia a dia, o dano frequentemente já é severo e não tem tratamento que o reverta.
Além da PAIR, a exposição ao ruído ocupacional está associada a outros efeitos na saúde: zumbido (tinnitus), hipertensão arterial, distúrbios do sono, irritabilidade, fadiga mental e redução da capacidade de concentração. Esses efeitos extrassensoriais são frequentemente negligenciados nas avaliações de saúde ocupacional, mas têm impacto direto na produtividade e no bem-estar dos trabalhadores.
Consequentemente, o acompanhamento audiométrico periódico previsto na NR-7 atualizada é fundamental para detectar a progressão da perda auditiva antes que ela atinja níveis incapacitantes.
Como medir o ruído no ambiente de trabalho
A avaliação quantitativa do ruído é obrigatória para caracterizar ou descaracterizar a insalubridade e deve ser realizada por profissional habilitado, utilizando equipamentos calibrados conforme as normas técnicas da ABNT.
Os principais instrumentos utilizados são o dosímetro, que o trabalhador utiliza durante toda a jornada para medir a dose de ruído acumulada, e o medidor de nível de pressão sonora (decibelímetro), que mede o nível instantâneo em um ponto específico. A escolha do instrumento depende do objetivo da medição e das características do ruído presente no ambiente.
Os resultados das medições são registrados no laudo de insalubridade e alimentam o Programa de Gerenciamento de Riscos exigido pela NR-1, tornando-se parte do sistema integrado de gestão de SST da empresa.

Hierarquia das medidas de controle do ruído
A NR-15 e as boas práticas de SST estabelecem uma hierarquia de controles que deve ser seguida na gestão do ruído ocupacional, priorizando sempre as medidas coletivas antes das individuais.
- Eliminação ou substituição na fonte: a medida mais eficaz é eliminar a fonte geradora de ruído ou substituí-la por uma tecnologia mais silenciosa. Trocar uma prensa mecânica por uma hidráulica ou uma ferramenta pneumática por uma elétrica são exemplos de substituição que podem reduzir significativamente os níveis de ruído.
- Controles de engenharia: quando a eliminação não é viável, medidas de engenharia reduzem a propagação do ruído: enclausuramento da fonte, instalação de painéis absorventes, amortecedores de vibração, manutenção preventiva de equipamentos (ruídos mecânicos aumentam com o desgaste) e isolamento das áreas mais ruidosas.
- Controles administrativos: rotação de trabalhadores entre postos com diferentes níveis de ruído e limitação do tempo de exposição são medidas que reduzem a dose recebida individualmente, mas não eliminam o risco na fonte.
- Proteção individual: o protetor auditivo, seja o tipo plug (inserção) ou o tipo concha (circum-auricular), é a última linha de defesa na hierarquia de controles. Conforme a Súmula 289 do TST, o simples fornecimento do protetor auditivo não exclui o adicional de insalubridade: é necessário demonstrar que o EPI efetivamente reduz a exposição abaixo dos limites de tolerância da NR-15. Para ampliar a compreensão sobre os tipos de riscos físicos no ambiente de trabalho, o artigo sobre tipos de riscos ocupacionais oferece uma visão completa do contexto.
Programa de Conservação Auditiva (PCA)
O Programa de Conservação Auditiva reúne ações de proteção e acompanhamento da saúde auditiva dos trabalhadores expostos ao ruído. Ele integra avaliação ambiental, monitoramento audiométrico, seleção e fornecimento de protetores auditivos, treinamento dos trabalhadores e avaliação da eficácia das medidas de controle.
O PCA não é uma exigência isolada: ele se integra ao PCMSO, ao PGR e às demais ações de vigilância à saúde do trabalhador, criando um sistema coerente de proteção auditiva que cobre desde a identificação do risco até o acompanhamento longitudinal da saúde dos trabalhadores expostos.
Conclusão
O ruído no trabalho é um risco silencioso que, quando não gerenciado, deixa sequelas permanentes na saúde dos trabalhadores. A prevenção eficaz começa pela avaliação correta dos níveis de exposição, passa pela implementação de controles na hierarquia correta e termina no monitoramento contínuo da saúde auditiva dos trabalhadores expostos.
Portanto, empresas que tratam o ruído com o rigor que ele exige, integrando a gestão desse risco ao sistema de SST e à cultura de segurança da organização, protegem não apenas a audição dos seus trabalhadores, mas também sua qualidade de vida fora do ambiente de trabalho.
Perguntas frequentes sobre Ruído no Trabalho:
A caracterização da insalubridade depende da avaliação da exposição e das medidas de controle aplicáveis ao caso. O Anexo 1 da NR-15 relaciona intensidade e duração da exposição: 85 dB(A) para oito horas é uma das referências da tabela. Um valor isolado de medição não basta para concluir sobre o adicional.
Não automaticamente. A Súmula 289 do Tribunal Superior do Trabalho estabelece que o simples fornecimento do EPI pelo empregador não elimina o adicional de insalubridade. É necessário avaliar tecnicamente a eficácia das medidas de proteção nas condições reais de trabalho.
A NR-15 não define uma periodicidade fixa para as medições de ruído. Contudo, a boa prática e as orientações do Ministério do Trabalho e Emprego indicam que novas medições devem ser realizadas sempre que houver mudança nos equipamentos, nos processos ou no layout que possa alterar os níveis de ruído, quando forem identificadas novas fontes de ruído, e como parte da revisão periódica do PGR exigida pela NR-1.
A PAIR (Perda Auditiva Induzida por Ruído) é causada especificamente pela exposição a níveis elevados de pressão sonora no ambiente de trabalho. Ela é bilateral (afeta os dois ouvidos), neurossensorial (afeta as células nervosas da cóclea) e irreversível. Diferencia-se de perdas auditivas condutivas (causadas por problemas no ouvido médio ou externo), que podem ter tratamento cirúrgico ou medicamentoso, e de perdas por envelhecimento natural (presbiacusia), que seguem um padrão diferente de progressão. O diagnóstico diferencial é feito pelo médico do trabalho ou otorrinolaringologista com base nos audiogramas seriados.
A aptidão deve ser avaliada individualmente pelo médico, considerando o quadro clínico, a atividade e as condições de exposição, conforme a NR-7.



